“A Comunidade do Arco-Íris” fica em cartaz até dia 25 de agosto no CCBB Rio

Com direção de Suzana Saldanha e supervisão de direção de Gilberto Gawronski, peça traz a atriz Bianca Byington e grande elenco

Crédito: Kika Antunes

Depois de uma temporada de sucesso no CCBB BH, a montagem infantil “A Comunidade do Arco-Íris” chega ao Teatro II do CCBB Rio de Janeiro, entre 6 de julho e 25 de agosto de 2024. Primeira e única obra de Caio Fernando Abreu escrita para crianças, a peça tem direção da gaúcha Suzana Saldanha e supervisão de direção de Gilberto Gawronski. Na trama, brinquedos e seres mágicos decidem viver numa comunidade na floresta, longe do mundo dos humanos, onde não há poluição e nem consumo desenfreado. A chegada de três gatos a esse recanto de paz provoca discussões sobre confiança, respeito, amizade e democracia. As sessões acontecem aos sábados, às 15h, e aos domingos, às 11h e 15h. Este projeto conta com o patrocínio do Banco do Brasil, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

Em cena, um lugar que lembra uma espécie de rave ou festa hippie. Os personagens vivem afastados do mundo humano. Uma sereia cansada da poluição de mares e rios, uma bruxa de pano e uma bailarina de caixinha de música trocadas por videogame e outros eletrônicos. Há também um soldadinho que não gosta de guerra e tem vocação para jardinagem, um mágico que deseja fazer suas mágicas sem ser criticado e ainda um roqueiro que quer tocar sua música na tranquilidade da natureza.

No papel da Bruxa de Pano, Bianca Byington comenta que não conhecia esse lado do autor “supreendentemente leve, que não perde o sarcasmo em pequenas brincadeiras”. Para a atriz, chama a atenção que, em 1971, ele tenha dado importância à questão ambiental. “Abordagem simples, sem militância, mas no fundo fala o que realmente importa, a insatisfação em relação ao mundo capitalista, ao consumo”, diz.

Sob a direção de movimento de Sueli Guerra, Bianca Byington divide a cena com os atores Raquel Karro (Sereia), Tiago Herz (Roque), Lucas Oradovschi (Mágico), Lucas Popeta (Gato Simão), André Celant (Soldadinho), Renato Reston (Gato Tião) e Patricia Regina (Gata Bastiana). A atriz Malu Mader faz uma participação especial em vídeo na abertura do espetáculo.

O cenário é composto por uma grande estrutura de ferro flexível que abrange o cenário interativo criado por Sérgio Marimba, promovendo um diálogo com a luz de Aurélio de Simoni e os figurinos de Danielly Ramos. As crianças são levadas a um mundo de faz de conta, com ambientes coloridos em que os atores podem se pendurar, penetrar, subir e passear livremente.

Para a supervisão de direção, Suzana Saldanha convidou o ex-aluno Gilberto Gawronski. “Ela acreditar nessa parceria me deixou muito feliz”, diz o ator e diretor vencedor dos prêmios Sharp, APCA e Shell. Gilberto ficou conhecido pela montagem de diversas peças de Caio Fernando Abreu, entre elas, “Dama da Noite” e “Pode ser que seja só o leiteiro lá fora”.

Em “A Comunidade do Arco-Íris”, segundo Gawronski, Caio convida as crianças à reflexão sobre convívio e coletividade. “Não é um texto sobre empoderamento da mulher, nem sobre racismo, gênero, ou etnias se colocando. Mas abrange isso tudo. O Arco-Íris de Caio é uma ode à diversidade. Simboliza um lugar ‘outsider’, alternativo, uma busca pelo utópico, onde todos vivem em harmonia e a diferença é respeitada”, diz.

A direção musical da peça é de autoria de João Pedro Bonfá, que mescla canções gravadas e música ao vivo. “Sempre que posso utilizar como trilha sonora o personagem Roque, interpretado pelo ator e músico Tiago Herz, é muito rico”.  Segundo Bonfá, Caio Fernando indica no texto uma letra com o hino da comunidade do Arco-Íris que, nesta montagem, é musicada por Tony Bellotto e por seu filho, João Mader. “A música virou um baita Rock n’ roll no estilo Titãs. Nós gravamos de uma vez, no estúdio, igual banda de rock, com guitarra e bateria. Isso trouxe uma sonoridade final bem interessante”, conta.

Suzana Saldanha e Caio Fernando Abreu  

“Apesar de escrita há mais de 40 anos, é uma peça ecológica e atual. Caio denuncia, naquela época, o mesmo que denuncio hoje, em 2024”, diz Suzana Saldanha, que participou da fundação do inovador Grupo de Teatro Província de Porto Alegre, em 1970, onde trabalhou com Caio Fernando Abreu. “Além de jornalista e escritor, era um belíssimo ator”, lembra. Logo depois, em 1971, Caio escreveu “A Comunidade do Arco-Íris”.

“O texto fala de forma poética sobre esse movimento de pessoas se organizando em comunidades, no auge da ditadura. Para nós, artistas, estava muito ruim. Mas nem todos iam da cidade para o campo. Caio foi para uma comunidade em Londres. Já eu fui morar, em 1973, com colegas de faculdade no Centro de Arte Sensibilização e Aprendizagem, onde também funcionava uma escola de teatro, em Porto Alegre”, recorda.

Quando volta ao Brasil em 1979, Caio entrega “A Comunidade do Arco-Íris” nas mãos de “Suzy Baby”, como chamava a amiga Suzana. “Eu fiquei louca com o texto”, lembra a diretora, que, no mesmo ano, estreia o espetáculo sob sua direção. Em 2008, a diretora contribui para a montagem da peça com crianças da Escola Carlitos (SP).

Em 2018, um novo encontro com a obra: Suzana apresenta o texto ao amigo e produtor Flávio Helder, que se apaixona, e decidem remontá-lo. “Eu quero mostrar ao público o lado amoroso e divertido de Caio Fernando, um autor que ficou muito marcado como porta-voz do mundo gay e que não conheceu a fama em vida, mas que hoje é lido por todos, sobretudo o público jovem”, afirma a artista.

Ficha Técnica
Texto: Caio Fernando Abreu
Direção: Suzana Saldanha
Supervisão de direção: Gilberto Gawronski
Elenco:
Bianca Byington (Bruxa de pano)
Stand in Bianca Byington: Gisele Fróes
Raquel Karro (Sereia)
Tiago Herz (Roque)
Lucas Oradovschi (Mágico)
Lucas Popeta (Gato Simão)
André Celant (Soldadinho)
Renato Reston (Gato Tião)
Patricia Regina (Gata Bastiana)
Participação especial em vídeo: Malu Mader
Cenário: Sérgio Marimba
Iluminação: Aurélio de Simoni
Figurinos: Danielly Ramos
Direção de movimento/coreografia: Sueli Guerra 
Assistência de movimento/coreografia: Edney d’Conti 
Composições e supervisão musical: Tony Belloto e João Mader
Direção musical: João Pedro Bonfá
Programação Visual: Juliana Della Costa
Operação de luz: Marcelo de Simoni
Operação de som: João Paulo Pereira
Diretor de Palco: Ney Silveira
Assessoria de Imprensa: Paula Catunda e Catharina Rocha
Direção de produção: Jenny Mezencio
Coprodução: Byor Filmes, No Problem Produções, DaGaveta Produções
Agojie Filmes
Coordenação geral e realização: Flávio Helder e BFV Cultura Esporte

Sobre o CCBB RJ

Inaugurado em 12 de outubro de 1989, o CCBB está instalado em um edifício histórico, projetado pelo arquiteto do Império, Francisco Joaquim Bethencourt da Silva. Marco da revitalização do centro histórico do Rio de Janeiro, o Centro Cultural mantém uma programação plural, regular e acessível, nas áreas de artes visuais, artes cênicas, cinema, música e pensamento. Em 34 anos de atuação, foram mais de 2.500 projetos oferecidos aos mais de 50 milhões de visitantes. Desde 2011, o CCBB incluiu o Brasil no ranking anual do jornal britânico The Art Newspaper, projetando o Rio de Janeiro entre as cidades com as mostras de arte mais visitadas do mundo. O prédio dispõe de 3 teatros, 2 salas de cinema, cerca de 2 mil metros quadrados de espaços expositivos, auditórios, salas multiuso e biblioteca com mais de 200 mil exemplares. Os visitantes contam ainda com restaurantes, cafeterias e loja, serviços com descontos exclusivos para clientes Banco do Brasil. O Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro funciona de quarta a segunda, das 9h às 20h, e fecha às terças-feiras. Aos domingos, das 8h às 9h, o prédio e as exposições abrem em horário de atendimento exclusivo para visitação de pessoas com deficiências intelectuais e/ou mentais e seus acompanhantes.

SERVIÇO

Espetáculo: “A comunidade do arco-íris”
Temporada: de 06 de julho a 25 de agosto de 2024
Dias e horário: Sábados, às 15h. Domingos, às 11h e 15h.
Local: Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) – Teatro 2
Endereço: Rua Primeiro de Março, 66 – Centro – RJ
Informações: (21) 3808-2020 | ccbbrio@bb.com.br
Ingressos: R$30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia)
Estudantes, maiores de 65 anos e Clientes Ourocard pagam meia-entrada.   
Bilhetes disponíveis na bilheteria do CCBB ou pelo site bb.com.br/cultura  
  Funcionamento:   De quarta a segunda, das 9h às 20h (fecha às terças).

 ATENÇÃO Domingos, das 8h às 9h – horário de atendimento exclusivo para visitação de pessoas com deficiências intelectuais e/ou mentais e seus acompanhantes, conforme determinação legal (Lei Municipal nº 6.278/2017

Capacidade Teatro 2: 153 lugares
Classificação: Livre.
Duração: 50 min.

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